Edifício sede do crm-mg – 2ª etapa do concurso

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  • FICHA TÉCNICA

    • arquitetos: Alexandre Brasil, André Luiz Prado, Bruno Santa Cecília, Carlos Alberto Maciel
    • prêmios: 2° lugar ex-aequo em concurso
    • consultor:
    • colaboração:
    • local: Belo Horizonte, Minas Gerais,Brasil
    • área construída:
    • concurso: 2004
    • projeto:
    • construção:
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    • imagens:
  • MEMORIAL DESCRITIVO

  • No Anteprojeto para a Nova Sede do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, buscamos equacionar todos os aspectos ainda não plenamente desenvolvidos do estudo preliminar, elaborando soluções técnicas, funcionais e plásticas a partir do atento atendimento a todas as recomendações da Comissão Julgadora. Para isso um amplo reestudo do projeto foi realizado, desde o aprimoramento das relações urbanas e de sua inserção na cidade, das relações formais e volumétricas e suas repercussões na lógica construtiva, até as articulações funcionais e a qualificação ambiental dos espaços de trabalho. A necessidade de um projeto que apresentasse vigorosa força plástica, forte representatividade da instituição e grande permanência ao longo do tempo orientou nosso trabalho.

    A INSERÇÃO URBANA E A VALORIZAÇÃO DO CARÁTER PÚBLICO DA INSTITUIÇÃO

    O projeto busca reforçar o caráter público e aberto da instituição e a demarcação enfática da presença do Conselho no espaço urbano através do amplo espaço de transição demarcado pela presença da extensa escadaria que promove a concordância entre o plano do terreno e o declive da rua. Esta solução define uma plataforma que recebe o pedestre e o conduz ao pilotis, funcionando como um acolhimento único que orienta e distribui os fluxos às diversas atividades com clareza e simplicidade. Como uma pequena praça, permite a configuração de um intervalo que demarca a transição entre o espaço urbano e o edifício, com o mínimo de obstáculos. Reforça a abertura do edifício a utilização de um único material das calçadas até o espaço interno  a pedra portuguesa  com sutis variações de acabamento conforme as demandas específicas de uso  bruta nas calçadas, semi polida na plataforma, polida nos espaços internos.

    Com total abertura e uso público, a plataforma de entrada dá acesso ao hall principal do edifício, com pé-direito elevado e ampla abertura para o vale e a paisagem, e ao foyer do centro de convenções. Nestes acessos, as portas são tratadas como elementos monumentais, com altura total do pavimento, a reforçar a abertura da instituição ao público. Para o pilotis, converge também o acesso desde os estacionamentos no subsolo, permitindo segregação dos fluxos e maior controle e segurança no funcionamento do Conselho.

    Foi integralmente preservada a estratégia de implantação adotada na primeira etapa, por definir qualidades no espaço urbano que diferenciam o edifício na paisagem. A grande abertura de visada promovida pela implantação recuada do edifício e o ocultamento de grande parte da massa edificada por sob o jardim frontal evitam a caracterização de base e corpo principal, reforçando a unidade do conjunto. Ao evitar a dicotomia entre centro de convenções e Conselho, o edifício representa de modo inequívoco a instituição que abriga, assegurando a diferenciação hierárquica entre as partes e o protagonismo do volume que abriga a atividade fim como principal definidor da imagem da instituição na cena urbana.

    A valorização do vazio na esquina principal contribui ainda para individualizar o prédio no espaço urbano através da definição de um forte contraste com as grandes massas edificadas imediatamente adjacentes. Ao evitar a lógica de ocupação extensiva, densa e maciça da região, pouco generosa, o edifício cria o intervalo que viabiliza sua fruição à distância por quem desce pela rua Pacífico Mascarenhas. Com a abertura da visada, o volume, embora menor do que os demais, se separa da seqüência construída e ganha visibilidade. Seu partido horizontalizado e de tratamento contínuo com único material estabelece um contraponto à variedade formal e à verticalidade dominante nos edifícios do entorno, reforçando sua singularidade no contexto urbano. Reforça ainda esta singularidade sua caracterização noturna, como uma grande lanterna iluminada contraposta à multiplicidade de janelas dos apartamentos e escritórios vizinhos, quando visto da avenida dos Andradas.

    VOLUMETRIA, EXPRESSÃO PLÁSTICA E RIGOR CONSTRUTIVO: A REDUÇÃO DA MASSA EDIFICADA E A QUESTÃO DA DESMATERIALIZAÇÃO

    Como apontado, um fundamento conceitual desta proposta é a busca da singularidade do edifício através da sua diferenciação volumétrica em relação ao entorno. Esta diferenciação se efetiva pela redução das massas construídas visíveis, através da implantação semi-enterrada dos auditórios e estacionamentos, e pela desmaterialização do volume do bloco visível. Conforme a recomendação da Comissão Julgadora, buscamos aprofundar as soluções técnicas e construtivas que conduzissem a esta idéia de desmaterialização.

    A idéia de desmaterialização permeia os discursos contemporâneos acerca da arquitetura. Inicialmente pode ser identificada no discurso da arquitetura moderna, que entendia a evolução da arquitetura como a evolução da técnica. Segundo os modernos, a evolução do conhecimento sobre os materiais e técnicas teria permitido ao longo dos séculos a ampliação dos vazios e a redução das massas, em um processo de progressiva redução da matéria que vai das maciças mastabas e pirâmides, em que a massa era muito maior do que os vazios internos, até a arquitetura do século XX que, com o concreto armado e o aço, atingiu uma predominância absoluta do vazio sobre a matéria que o conforma. Na arquitetura contemporânea uma busca pela redução da expressão das massas e a valorização das peles de vedação como elementos ativos de mediação entre o interior e o exterior vem permitir um controle efetivo das relações entre o edifício e espaço externo, tanto no que concerne à qualidade ambiental  sol, luz, ventos, chuvas  como nas possibilidades de abertura visual e integração com o exterior.

    Neste sentido, buscamos aprimorar as soluções da estrutura, das vedações e da lógica formal que delas decorre na direção de uma maior complexidade na caracterização das peles que encerram os espaços internos. Com isso, não apenas se equacionam as questões formais que caracterizam o edifício para quem de fora o aprecia, mas também se resolvem a qualificação ambiental e o controle do ambiente construído.

    A desmaterialização da forma se opera através dos seguintes artifícios:

    :: a individualização e separação dos diversos planos que fecham o edifício, evitando a conformação de um grande bloco monolítico e permitindo maior variedade no tratamento das diversas orientações, considerando de modo mais efetivo as questões relativas ao clima e ao conforto dos ambientes de trabalho;

    :: a extensão dos planos da fachada em relação aos limites do pavimento, de modo a eliminar a leitura das arestas do volume e a percepção da real dimensão da massa construída, a reforçar a continuidade entre interior e exterior, potencializar a fruição de visadas interessantes e funcionar como proteções e atenuadores solares;

    :: o fracionamento dos planos das fachadas, ora em faixas horizontais  fachadas norte e sul -, ora na retícula (fachadas leste e oeste), criando um intervalo vazio entre as peças de mármore, evitando a configuração da massa e ao mesmo tempo permitindo a visualização através das peças entre interior e exterior;

    :: a redução da seção dos elementos estruturais, principalmente das lajes, no encontro com a pele. Este encontro é mediado pela grelha em perfil metálico que estrutura todos os elementos da fachada e elimina a visibilidade dos topos dos elementos estruturais. Ao mesmo tempo em que resolve as estruturas de modo técnico, econômico e lógico, esta solução, dialeticamente, nega a existência da estrutura a fim de viabilizar a leveza e a aparente ausência de matéria.

    LUZ, CLIMA E CONFORTO AMBIENTAL

    Em relação à necessária resposta ao clima, as diferenças entre as estratégias adotadas para cada uma das fachadas foram intensificadas. Além da correta implantação do edifício em relação ao sol, da adoção do vazio interno como elemento de atenuação da transmissão de calor na fachada norte e da localização da grande maioria dos espaços de trabalho no quadrante sul, adotou-se para cada orientação um conjunto de vedações que melhor respondesse à necessidade de atenuação da incidência direta de sol, da transmissão de calor e da ventilação.

    Na fachada sul foi mantido na íntegra o sistema proposto no estudo preliminar. Ali, o aproveitamento da ventilação e iluminação naturais, ambientando todos os espaços de permanência para generosas fachadas ventiladas se faz através de venezianas reguláveis associadas às haletas de mármore. Por apresentar-se em sombra durante a maior parte do ano, esta fachada apresenta pouca  incidência de sol direto sobre o mármore, o que minimiza a transmissão de calor ao espaço interno por irradiação. Mesmo no verão, as incidências verticais dos horários críticos são atenuadas pela própria justaposição de elementos inclinados. Ao nível do observador, faixas com vidro laminado com película estampada permitem a visão do jardim inferior e do entorno, ao mesmo tempo em que a película reduz a incidência de sol e confere ao vidro aparência esbranquiçada, aproximando-o ao mármore.

    Nas fachadas leste e oeste, por apresentarem grande incidência de sol nas primeiras horas da manhã e da tarde, respectivamente, o elemento de mármore passou a ser associado a uma pele interna de vidro temperado, montada sobre os mesmos perfis metálicos que estruturam o conjunto das fachadas. As placas de mármore tornam-se, então, atenuadores solares, filtrando a luz e ambientando os espaços internos ao mesmo tempo em que evitam a incidência direta de sol no vidro, reduzindo o efeito estufa. Por se disporem ligeiramente afastadas entre si e em relação à pele interna de vidro, favorecem a ventilação permanente neste intervalo, criando um intervalo ventilado que dissipa o calor resultante da radiação gerada pela incidência direta de sol sobre o mármore. Por seu acabamento polido e sua cor branca, o mármore apresenta alto grau de reflexão, o que reduz significativamente seu aquecimento e a conseqüente radiação daí decorrente.

    Esta mesma lógica comparece nas partes da fachada norte que delimitam espaços de permanência, entretanto com ordenação diferenciada para a pele de mármore. Nestes trechos, a configuração em haletas apresenta maior angulação do que na fachada sul, ampliando a visualização do entorno e funcionando aos modos de um brise. Assim como a leste e oeste, a configuração de uma dupla pele viabiliza maior controle do ambiente interno ao mesmo tempo em que preserva a caracterização da luz filtrada pelo mármore, tanto para quem usa os espaços de trabalho quanto para quem observa o edifício de longe.

    Ainda na fachada norte, no trecho central que corresponde ao vazio interno, o fechamento é exclusivamente em mármore, cujas placas apresentam o dobro da altura das faixas laterais de modo a demarcar sutilmente na articulação formal esta importante diferenciação no espaço interno. Neste trecho, a ausência de vidro favorece a ventilação permanente pela configuração do mármore como brise, e seu maior fechamento não permite a visualização da paisagem, direcionando a visão do usuário para a fruição do espaço interno e da vegetação que ali toma lugar.

    Com essas diferentes estratégias, assegura-se a melhor ambientação para cada espaço de trabalho, reforçada pela utilização do grande vazio interno como elemento de controle ambiental por permitir a exaustão do ar quente pela diferença de pressão entre as áreas sombreadas dos pavimentos inferiores e as áreas mais altas. Reforça essa exaustão a sua associação a uma extensa abertura na laje de cobertura, por sobre a circulação do último pavimento, onde se eleva uma zenital linear aos moldes de uma chaminé, cujo desenho foi aprimorado de modo a, além de induzir a tiragem do ar mais quente através do efeito Venturi, permitir a incidência de luz rebatida – em virtude de sua inclinação em direção a sul  na circulação do pavimento da Presidência e dos Plenários.

    Além dessas medidas, foram mantidas as soluções relacionadas à eficiência energética do edifício: :: a redução do uso do ar condicionado, pela qualificação dos espaços internos em relação ao clima, como apontado; foi previsto o uso de climatização artificial apenas nos espaços mais nobres  pavimento da Presidência e Plenário  e nos auditórios e salas de convenções, pelo seu necessário fechamento e por se tratar de espaço com grande concentração de público. Para Presidência, Plenário e Salas de Convenção prevê-se a utilização de sistema mini/multi split, com aparelhos K7, que permite a uso independente em cada sala, conforme a demanda, e apresenta instalação individualizada, viabilizando inclusive a implantação do sistema em etapas. Os condensadores se instalariam na cobertura do edifício, para os equipamentos da Presidência, e no jardim posterior do térreo, para as salas de convenção.  Para os auditórios, prevê-se um sistema Self Contained com condensador a ar remoto para cada auditório. O equipamento se localiza na casa de máquinas lateral, com trecho coberto para os equipamentos e, sobre estes, os condensadores ao ar livre. O insuflamento se faz por dutos pelo entreforro, e o retorno pelo vão existente sob a platéia. Nos demais espaços, a ventilação natural foi privilegiada, e, com a redução da transmissão de calor para os espaços internos pela utilização da pele dupla nos quadrantes mais críticos, a sua demanda pode ser controlada pelo mecanismo simples da abertura em guilhotina, viabilizando pele em vidro temperado, a reduzir custos e a resultar em solução plástica mais interessante pela ausência de esquadrias. A solução em guilhotina equaciona ainda a estanqueidade à água na medida em que permite a configuração de guias laterais e de trespasses horizontais entre os vidros, eliminando problemas com as chuvas. :: a redução na demanda de utilização de elevadores, devido à clara setorização que reúne espaços cujas atividades são afins e à localização do Centro de Convenções, maior atrator de público, ao nível da chegada; :: a busca por um menor custo energético da construção, a evitar o uso de revestimentos desnecessários e a propor uma solução construtiva que permite conciliar a alta tecnologia com o emprego da mão de obra tradicional, experiente no trato do concreto moldado in loco e na aplicação do vidro e do mármore  materiais de aplicação recorrente na indústria da construção civil local.

    ARTICULAÇÕES FUNCIONAIS E ACESSIBILIDADE

    As articulações funcionais, no que concerne às grandes áreas – Conselho, Centro de Convenções, Cafeteria e Estacionamentos – não se alteraram em relação ao estudo preliminar. No entanto, no que concerne às necessárias proximidades e ligações entre as partes de cada área, foram propostas significativas alterações.

    No Conselho, as diversas atividades foram ordenadas ao longo dos pavimentos a partir da sua relação com o público e a partir da hierarquia que apresentam na Instituição. Assim, as áreas de atendimento ao público se localizam nos dois primeiros pavimentos, enquanto as áreas privadas do Conselho ocupam os dois últimos pavimentos. Além disso, foram concentradas no último pavimento, que apresenta melhores visadas para o entorno imediato e para o vazio central em virtude de sua altura, as atividades hierarquicamente mais importantes: a Presidência, o Plenário e os Conselheiros. Antes dispostos em pavimentos separados, sua reunião no mesmo pavimento melhora as relações e proximidades entre estes espaços, como solicitado no programa de necessidades e recomendado pela Comissão Julgadora.

    Além de usufruir de melhores visadas e da ambientação especial conferida pela zenital linear sobre a circulação, estes espaços recebem tratamento especial no que diz respeito às suas vedações. Pela necessidade de maior isolamento acústico e por sua configuração demandar menos mobilidade e flexibilidade, propõe-se a utilização de divisórias em mármore associado ao vidro nos plenários e na sala da presidência. Esta solução reforça nestes espaços a caracterização dos ambientes internos pela exploração do aspecto translúcido do mármore, e viabiliza um tratamento do interior que seja a um só tempo mais permanente e mais nobre, coerente com a importância das atividades que abriga. Essa diferenciação aparece também no elemento que reúne os apoios e sanitários, que apresenta forma mais livre de modo a atender às demandas programáticas, flexibilizar o uso dos sanitários do plenário, configurar acesso reservado e privativo do presidente ao plenário e ainda preservar a leitura de continuidade do espaço interno e da fachada em mármore.

    Todos os espaço de trabalho, à exceção daqueles que demandam maior isolamento e controle, foram delimitados com divisórias translúcidas em policarbonato alveolar, de modo a ampliar para todo o conjunto a luminosidade interna gerada pelas extensas fachadas em mármore, associando maior integração visual dos pavimentos à necessária privacidade das áreas de trabalho. Nestes pavimentos, as áreas de trabalho têm o teto rebaixado de modo a permitir a distribuição flexível das instalações, localizadas em calha visitável disposta na extremidade do rebaixo, junto às circulações. Com isso, eventuais modificações nos arranjos de cada pavimento podem acontecer com maior simplicidade e sem grandes transtornos para a vida cotidiana. Essa solução reduz custos e diferencia ainda a ambientação das circulações e halls, que apresentam maior pé-direito e têm reforçado seu caráter público e aberto para o grande vazio central, articulador do conjunto.

    Na cafeteria, os acessos foram integralmente revistos, conforme recomendação da Comissão Julgadora. A conexão entre o Conselho e a cafeteria continua ocorrendo a partir do núcleo de elevadores que acede a um hall cujo acesso pode ser controlado pelo uso de cartões magnéticos de identificação pelos funcionários. Foi criada a possibilidade de acesso direto desde o hall para o salão reservado aos jantares do Conselho, o que viabiliza seu uso simultâneo a qualquer evento no Centro de Convenções. O acesso para os usuários do Centro de Convenções foi revisto: a rampa externa foi eliminada, e a escada que se localizava no hall foi transferida para dentro do foyer e apresenta dimensões mais generosas, a viabilizar uma acesso rápido à cafeteria e a atender satisfatoriamente ao grande afluxo de pessoas que o auditório e as salas de eventos produzirão.

    Ainda na cafeteria, foi criada uma rampa reservada para acesso de serviço e carga e descarga, oculta por um plano em mármore que delimita o jardim frontal e define um pequeno pátio de serviço interligado aos apoios do restaurante, imprescindível para o bom funcionamento do mesmo. Esta rampa atende ainda à fuga em caso de emergência, viabilizando o escape pela escada enclausurada neste pavimento. O plano em mármore dá continuidade ao volume interno, que concentra os serviços da cafeteria, e oculta a abertura de ventilação dos equipamentos de ar condicionado do auditório, reduzindo o impacto, na área da praça, dos ruídos gerados por seu funcionamento. Nesta área, a varanda originalmente proposta foi estendida através de um grande deck que avança por sobre o jardim de forma a melhorar a relação de uso e fruição deste espaço por quem circula pela cafeteria.   No pavimento térreo foram revistas as articulações de entrada, buscando assegurar maior independência entre os acessos ao Conselho e ao Centro de Convenções, atendendo à recomendação da Comissão Julgadora. Para isso, o espaço de acolhimento solicitado pelo programa  foi definido pelo pé-direito elevado do avarandado de transição, como já apontado.

    Também no térreo foi revista a localização dos sanitários na parte posterior do foyer, melhorando a possibilidade de integração das salas de reuniões com o foyer e concentrando as áreas molhadas na mesma projeção da torre e da cafeteria, o que gera maior economia e racionalidade construtiva. Uma zenital sobre o pé-direito duplo ilumina a área ao fundo do foyer e os espaços de atendimento da cafeteria, melhorando a ambientação destes espaços como solicitado pela Comissão Julgadora.

    No subsolo, foram implantados dois níveis de garagem, com pé-direito baixo de modo a evitar interferências construídas abaixo do nível d’água. O primeiro abriga além de estacionamento parte dos auditórios e suas áreas técnicas e de apoio. O segundo apresenta a totalidade da área destinada a estacionamentos. Foi reduzida a área do estacionamento do segundo subsolo a fim de se limitar ao eqüacionamento do máximo de vagas permitido pela legislação e a reduzir a área construída bruta do edifício. Alternativamente, pode-se ampliar o segundo subsolo até o limite do terreno, viabilizando uma futura ampliação dos estacionamentos através do remanejamento de vagas. Nos estacionamentos, halls com acesso controlado permitem o uso dos elevadores, e escadas amplas conduzem os usuários diretamente ao acolhimento, permitindo a articulação direta com centro de Convenções sem fragilizar o controle e sem comprometer o funcionamento do Conselho. A opção por dois subsolos se justifica pela declividade das bordas do terreno, que dispensa a construção de contenções na sua maior extensão  todos os lados apresentam apenas arrimos parciais, e somente a frente para a rua Professor Otaviano de Almeida demandará a construção de arrimo na totalidade da altura escavada  e permite a máxima exploração de estacionamentos, o que traz maior conforto, especialmente considerando a demanda gerada pelo Centro de Convenções, e pode ainda se converter em gerador de renda para a instituição. Com a alternativa ampliada de estacionamentos com oferta generosa de vagas, o Conselho estará preparado para as mais diversas e possíveis transformações futuras tanto da própria instituição como do espaço urbano adjacente.

    O PAISAGISMO

    Para o paisagismo, foram definidas espécies ornamentais de portes variados  gramíneas, forrações, pequenos arbustos  dispostos em maciços, definindo faixas que reforçam a ordenação linear do edifício. Com larguras variadas, as faixas de paisagismo definirão sutis variações cromáticas de verde, cinza e branco, de modo a estabelecer forte relação com a arquitetura proposta. Para isso, foram definidas as seguintes espécies:

    Grama azul – festuca glauca  herbácea de folhagem azul-prateada de grande efeito decorativo, resolve forrações baixas (10 a 20cm de altura), inclusive o maciço mais extenso da praça de transição de entrada. Piteira do caribe  Agave angustifolia  configura maciço de proteção na primeira faixa de vegetação, configurando uma barreira de proteção que impede o acesso ao jardim desde a rua. Por suas folhas longas, com pequenos espinhos e ponta aguçada, em maciços é praticamente intransponível. Lírio branco  Lilium longiflorum  cultivada em agrupamentos, apresenta floração com aroma bastante característico. Por apresentar média altura (entre 40 e 120cm), pode ser aplicada alternadamente às forrações mais baixas, gerando variedade de altura, forma e textura dos maciços. Cinerária  Senecio douglasii  herbácea de ramagem e folhagem branca, forma maciços bastante homogêneos, mais baixos (de 40 a 70cm), definindo altura média entre a grama e o lírio.

    ESTRUTURA E SISTEMA CONSTRUTIVO: ECONOMIA, RIGOR, PERMANÊNCIA E DURABILIDADE DA EDIFICAÇÃO

    A proposição do sistema construtivo aprimora as soluções apresentadas no estudo preliminar. Para sua definição, na primeira etapa, e para o seu desenvolvimento, no anteprojeto, foram fundamentais as seguintes premissas:

    :: a definição de um partido estrutural que diferencia o elemento regular  torre, com estrutura modular  do elemento excepcional  o auditório, que demanda grandes vãos. Essa diferenciação permite a adoção de um sistema modular com pilares em concreto armado de seção circular e lajes nervuradas na torre, e a adoção de um sistema misto, com grelha em perfis metálicos tipo “I” eletrosoldados  Usilight 350×35 – solidária à laje nervurada com mesmo dimensionamento das lajes convencionais. A opção pela estrutura mista permite a submodulação do grande vão do auditório através do elemento metálico que, trabalhando de modo integrado à laje, reduz a altura do conjunto e gera grande economia pela redução significativa no consumo de material. Sua inclinação, além de corresponder à variação da platéia no auditório, permite maior visibilidade das áreas verdes desde o espaço urbano e favorece a drenagem do jardim, reduzindo a sobrecarga sobre a laje;

    :: a busca por soluções econômicas, com uma forte lógica construtiva modular, a equacionar vãos econômicos para a estrutura, para os estacionamentos e para as divisões internas modulares. Para isso, foram ajustados os módulos da estrutura principal em vãos com espaçamentos de 7,20m e 9,60m, múltiplos de 1,20m, módulo de ordenação da estrutura secundária da pele externa e do padrão comercial de divisórias. As peles internas em vidro temperado também permitem o máximo aproveitamento das placas de vidro (placas com 2,40m de largura, gerando dois módulos de 1,20 sem perda), e ainda geram grande aproveitamento do mármore, cujas placas são moduladas em 2,40, permitindo sua fixação em dois montantes com balanços laterais de meio módulo; apresentam ainda a vantagem de reduzir siginificativamente o carregamento sobre a estrutura – o mármore com 2cm de espessura com a estrutura leve apresenta sobrecarga de 67 kg/m2, contra 360kg/m2 de uma alvenaria comum.

    :: a opção por sistema de construtivo com lajes planas, por reduzir significativamente o custo de formas e o tempo de montagem do conjunto. Para isso, foram ensaiados dois sistemas, o primeiro com laje em concreto protendido e o segundo com laje nervurada. A primeira hipótese apresenta a vantagem da melhor performance do material que, comprimido pela protensão, apresenta menor fissuração e melhor qualidade. Sua desvantagem reside no maior consumo de concreto, que, em um pré-dimensionamento, exigiria a espessura de 26cm de concreto maciço para os vãos definidos, resultando em um consumo de aproximadamente 0,26 metros cúbicos de concreto por metro quadrado de laje. A segunda hipótese, adotada como padrão para o projeto, faz uso da laje nervurada que, para a modulação de pilares proposta, demanda espessura de 29,5cm. Embora maior, a forma ativa que o conjunto de nervuras define reduz o consumo de concreto a aproximadamente 0,134 metros cúbicos de concreto por metro quadrado de laje, ou seja, à metade da solução maciça. Essa significativa redução implica, além do menor custo decorrente do menor consumo de concreto, em menor carga final que o conjunto estrutural deve suportar. Assim, a solução gera economia por permitir redução nos dimensionamentos de todos os elementos da estrutura, inclusive fundações. Permite também, conforme a solução técnica, a configuração de lajes lisas com acabamento em pintura branca, caso se utilizem moldes em isopor, mais leves, ou o acabamento em concreto aparente, como nas lajes maciças, para o que se aplicam economizadores plásticos que configuram caixões perdidos.

    :: a exploração do potencial da associação de diferentes elementos, sistemas e materiais a fim de gerar soluções a um só tempo mais econômicas, ágeis e adequadas às demandas programáticas. Assim, além da estrutura mista de cobertura do auditório, as grandes colunas que atravessam o vazio interno e sustentam a estrutura secundária das peles externas são resolvidas rigorosamente com a mesma seção das demais, e o problema da flambagem que decorreria de sua grande esbeltez se resolve pelo uso de um tubo metálico de seção circular que encamisa o núcleo em concreto armado. Essa solução, além de melhorar o desempenho em relação à flambagem, simplifica a fixação das mãos francesas metálicas que sustentam a estrutura em mármore, que podem ser soldadas diretamente na coluna. Essa unificação de diferentes sistemas aparece também nos subsolos: ali, as cortinas em concreto armado das contenções, com 20cm de espessura, recebem as lajes nervuradas diretamente, reduzindo significativamente a quantidade de pilares e suas fundações. Para estas, propõe-se a utilização de estacas tipo hélice contínua, com diâmetro variável entre 50 e 80cm, conforme as cargas, com profundidade entre 12 e 14 metros. Este tipo de estaca permite a perfuração rápida e econômica sem conflito com o nível d’água elevado, e com custo inferior a uma solução convencional equivalente, tipo Franki.

    :: a necessidade de permanência e durabilidade do edifício, tanto sob o ponto de vista pragmático, da economia e da redução dos custos de manutenção e conservação, como sob o ponto de vista simbólico, da representação da instituição, buscando conferir ao edifício um caráter atemporal. Nesse sentido, a busca por uma solução simples, que resolve a um só tempo as questões de uso, da lógica construtiva, do conforto ambiental e da caracterização plástica do edifício, recorrendo a poucos materiais, de grande durabilidade e permanência, como o concreto, o vidro e o mármore, vem responder à necessidade de permanência do edifício no cenário urbano com a qualidade necessária para representar o Conselho Regional de Medicina ao longo dos tempos, sem perder a dignidade e o caráter de invenção com o passar dos anos.